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Análise da narrativa audiovisual

por luanamairaÚltima modificação 05/08/2007 12:52

Programa: Ciências da Comunicação

Área de Concentração: Estudos dos Meios e da Produção Mediática

Linha de Pesquisa: Técnicas e Poéticas da Comunicação


Docente responsável: Roberto Franco Moreira


Descrição: Esta pesquisa aprofunda a descrição narratológica do cinema clássico iniciada na minha tese de doutoramento. Trata-se confrontar as várias teorias da narrativa desenvolvidas durante o século XX com a realidade de um corpus de filmes já bem caracterizado na literatura especializada. Começando com os formalistas russos e pelo estruturalismo, são exploradas também as contribuições da sóciolinguística, da análise do discurso, da psicologia e da inteligência artificial. O confronto dessas metodologias permite perceber a narração em toda a sua complexidade. Afinal, quando falamos numa “história”, nos referimos a uma entidade que surge de um texto, mas é atualizada pela mente do leitor e acontece em um mundo que é pura representação. É esse caráter intangível da narração que torna muito difícil sua análise e exige um corpo a corpo constante com os filmes. O projeto tem como objetivo descrever o processo narrativo do cinema clássico e procurar esclarecer as contribuições das várias metodologias de análise à disposição. No formalismo russo podemos localizar a origem dos estudos modernos sobre a narrativa, Mas a narratologia só se reconheceu como campo de estudo surgiu no âmbito do estruturalismo e através dos trabalhos de Bremond, Todorov, Greimas, Genette e Barthes. Mas outras disciplinas também se dedicavam ao mesmo objeto. Na antropologia Dundees e Colby esmiuçavam narrativas folclóricas, na sócio-linguística Labov estudava relatos orais e esboçava uma das mais produtivas descrições de estrutura narrativa, na inteligência artificial Shank, Wilenski e Lehnert procuravam descrever como a mente processava e dava sentido às histórias, e, sob a influência de Chomsky, a psicologia desenvolvia uma gramática narrativa através dos trabalhos de Mandler. Este era o quadro das pesquisas nos anos 60 e 70. De lá para cá vários outros desdobramentos aconteceram, em especial o desenvolvimento na psicologia dos estudos de compreensão de histórias. Hoje fica clara a necessidade de uma aproximação multidiciplinar da narrativa. O cinema clássico já foi exaustivamente descrito em especial no livro de Bordwell, The classical Hollywood cinema: film style & mode of production to 1960, que culminou 20 anos de discussões. Justamente por se tratar de um objeto bem delimitado, o cinema clássico presta-se muito bem a avaliação das várias metodologias à disposição para a análise da narrativa. Atualmente estamos analizando o filme Tootsie, que foi escolhido por sua estrita adesão ao canon, e comparando os resultados que cada metodologia apresenta. É importante ressaltar que esse esforço inicial é o maior, pois exige o domínio da obra de vários autores. Também nos confrontamos com a dificuldade de enfrentar uma objeto longo e complexo pois muitas das metodologias empregadas foram desenvolvidas para relatos curtos. Esta foi uma crítica várias vezes dirigida à narratologia, que seus resultados se aplicavam a objetos excessivamente simples. É preciso então enfrentar o desafio de compreender as histórias que nos cercam no cotidiano. Completei recentemente a análise do filme a partir do modelo proposto por Labov. Sua descrição consegue indicar precisamente como se desenvolvem os nexos casuais entre as várias sequências do filme, confirma a divisão dos filmes em quatros partes proposta por Thompson, mas aponta para uma possível estrutura em oito partes a ser confirmada através da análise de outros filmes. Atualmente estou aplicando ao filme o modelo de Lehnert para sumarização de histórias identificando as várias unidades de enredo do filme.








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