Cinema Experimental e Filme de Artista no Brasil: História e Análise Interdisciplinar
Programa: Ciências da Comunicação
Área de Concentração: Estudos dos Meios e da Produção Mediática
Linha de Pesquisa: Comunicação Impressa e Audiovisual
Docente responsável: Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior
Descrição: O presente Projeto de Pesquisa desdobra-se do anterior, História do Cinema como História da Arte: Espaços em construção na análise de filmes. Nele partimos de questões de estilo analisadas no cinema de Glauber Rocha, para nos dirigir às relações entre arte e vanguarda cinematográfica. Nosso recorte foi se aproximando desta correlação nos campos tradicionalmente chamados de cinema de vanguarda, cinema experimental, ou cinema de artista. Concentramo-nos na década de 70 — incluindo a de 80, sobretudo no caso do experimentalismo superoitista —, mas tivemos a necessidade constante de nos voltarmos às tradições artísticas e cinematográficas anteriores. Os anos 20, 50 e 60 encerram capítulos decisivos e incontornáveis do experimentalismo e das vanguardas no quadro artístico-cinematográfico brasileiro:— modernismo, expressionismo, nova objetividade, construtivismo, concretismo, neo-concretismo, cinema novo, cinema marginal, pop, tropicalismo.
A circulação de conceitos entre cinema, artes plásticas, arquitetura e outros campos, ensaiados no exercício da análise fílmica, foi deste modo a base de vários cursos lecionados e artigos publicados por este pesquisador nos últimos anos. Através deste método de análise imanente e interdisciplinar, em progresso pretendemos abordar privilegiadamente obras dos anos 70. Além disso recuamos para os primeiros marcos históricos situados na produção cinemanovista e marginal, bem como aos seus poucos antecessores: SÃO PAULO, A SINFONIA DA METRÓPOLE (1929) de Adalberto Kemeny e Rodolfo Rex Lustig, LIMITE (1930) de Mário Peixoto, os filmes de B. J. Duarte (anos 30-50) e PÁTIO (1957-59) de Glauber Rocha. O objetivo é testar via análise fílmica a pertinência estética de conceitos trazidos de áreas culturais e artísticas implicadas no contexto da criação das obras. Tal interdisciplinaridade incorpora centralmente a história do cinema e do campo audiovisual brasileiro, e mesmo o internacional. Com isto fundamentamos a composição de quadro historiográfico do cinema experimental no Brasil, e damos subsídios para o debate entre as concepções estéticas radicais e de vanguarda em nosso terreno. O produto implica em textos redigidos nestes próximos anos em torno de uma história brasileira do experimentalismo cinematográfico, além de cursos e comunicações em encontros nacionais e internacionais. Minha Livre-Docência, em curso de redação, possui o mesmo tema, e congrega ainda vários de meus trabalhos já publicados, que se integram à parte inédita.
