Inclusão e exclusão social: a política das representações na mídia em uma favela paulistana
Programa: Ciências da Comunicação
Área de Concentração: Estudos dos Meios e da Produção Mediática
Linha de Pesquisa: Comunicação Impressa e Audiovisual
Docente responsável: Esther Imperio Hamburger
Descrição: Esse projeto investiga a hipótese de que do ponto de vista de consumidores situados às margens da sociedade, o mundo da mídia aparece como via de inclusão social. A mídia é entendida aqui em um sentido amplo que abarca o cinema, o espetáculo nos programas de auditório e nos esportes, veículos de imprensa, rádio e televisão, o consumo de vídeos, a produção caseira de vídeos, o hip hop e as rádios comunitárias. Ao se apropriar de um amplo leque de informações difundidas sem o controle de instituições como a escola, a igreja, a família, os partidos políticos, moradores da favela procuram demonstrar que dominam o repertório que imaginam como o necessário para a inclusão plena na sociedade. No entanto, perversamente, muitas vezes quando favelados ganham notoriedade na mídia, sua imagem é associada de alguma forma com o universo da barbárie que usualmente estrutura as representações da pobreza. Cientes de que essa representação só contribui para consolidar a imagem de marginais da qual procuram se libertar os favelados disputam a forma e o conteúdo da sua representação. Pesquisa etnográfica na favela dará continuidade a levantamento realizado no mesmo local, com objetivos mais limitados, durante nove meses em 1996-7. O trabalho privilegiará a observação participante da interação dos moradores com órgãos de mídia de diversos tipos. A especulação dos telespectadores sobre o rumo das novelas, sua busca de informações adicionais em programas de rádio e revista, sua expectativa de que os autores levem em conta "o que o pessoal está pensando", a preparação das meninas para uma sonhada carreira de modelo, que se inicia nas filas dos programas de auditório, a produção de vídeos caseiros, a montagem de uma biblioteca, diversos tipos de participação em projetos cinematográficos recentes são alguns exemplos de casos diferenciados a serem pesquisados. De que maneira essa interação - teórica e/ou prática - em níveis diversos com o mundo do visível garante alguma inclusão social? Como os moradores interpretam a representação de seu universo nos filmes, nas novelas, a publicidade que a atividade de um vizinho eventualmente adquire, ou a manipulação de sua produção criativa em filmes e/ou programas televisivos? Qual a sua percepção do caráter exótico - e perverso - que a visibilidade lhes traz? Como o jogo da visibilidade/invisibilidade acena com a inclusão mas ao mesmo tempo alimenta a exclusão social? Os dados colhidos e analisados serão objeto de um ensaio sobre as políticas da representação e suas implicações concretas para a vida cotidiana de cidadãos de baixo poder aquisitivo e poucos anos de escolaridade, habitantes de favelas e bairros populares, suas estratégias de inclusão, sua perspectiva crítica sobre a parca visibilidade adquirida, sua disposição de participar dos mecanismos de produção de suas próprias representações. A idéia é contribuir para a gestação de representações capazes de fazer diferença na dinâmica de inclusão social.
